"Geloteca" incentiva a cultura e também alerta para o feminicídio em Campinas

Todo material foi doado pela própria comunidade.

Geladeira está em uma área sobre seis paletes e com cinco caixotes.

Uma geladeira sobre o canteiro central de um movimentado sistema viário localizado no Jd. São Marcos, em Campinas, tornou-se parte de um inovador projeto sociocultural. Com pouco mais de um ano, a iniciativa resultou na implantação de uma minibiblioteca comunitária, considerada uma das principais referências de cultura popular e de manifestação contra o feminicídio. A “Geloteca Thaís Vive”, como passou a ser conhecida entre a comunidade, reúne diversos títulos de livros e revistas, bem como panfletos informativos sobre meio ambiente, saúde e segurança pública. Todo material foi doado no último ano por pessoas que encontram no local uma alternativa às bibliotecas tradicionais – não existe nenhuma biblioteca pública instalada naquela região. A geladeira está em uma área sobre seis paletes - estrados de madeira – e com cinco caixotes que servem como bancos para os leitores. As plantas também contribuem para transformar o local num “centro de convivência”! Muitos vasos são feitos com material reciclado, como baldes, latas e pneus. Do outro lado do canteiro central, que fica entre a Rua Felinto de Almeida e a Av. Comendador Aladino Selmi, o leitor poderá encontrar uma mesa com cadeiras dispostas sob uma estrutura de madeira – bastante parecida com um pergolado – e, claro, referências à Thaís Fernanda Ribeiro, morta com 11 tiros pelo ex-namorado poucos dias depois de completar 21 anos de idade.

Geloteca Não existe controle sobre a retirada de livros e revistas da “Geloteca Thaís Vive”; também não há sistema para recebimento ou catalogação de títulos doados pela comunidade. Apesar de oferecer toda estrutura para leitura no local – que pode até parecer estranha entre tantos veículos –, o interessado pode levar o que quiser para casa. “Você retira o que precisa e doa o que já leu!” Na extensão de parte do canteiro central, no entanto, há muitas faixas “sugerindo” que as orquídeas (e demais plantas) sejam preservadas. É inacreditável que algumas pessoas parecem estar “dispostas” a estragar tudo o que foi realizado no local pela família de Thaís Fernanda Ribeiro. Lamentável!

Anselmo Dequero, do PoloAC, visita Geloteca em 14 de Junho de 2020.

Crime Thaís Fernanda Ribeiro foi morta a tiros pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento; ela foi a quarta vítima de feminicídio em Campinas, em 2019. O crime ocorreu na casa do assassino, na Rua Elza Monnerat, região do Teckno Park, próxima ao CDHU San Martin. O assassino fugiu, mas acabou preso pela Polícia Civil em Santo André, na Grande São Paulo.


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